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Como converter PST do Outlook para MBOX sem pagar por um conversor

Você não precisa comprar conversor de PST. O Thunderbird e a extensão gratuita ImportExportTools NG transformam um PST do Outlook em MBOX padrão em quatro passos, e há um caminho por linha de comando.

David Carrero ·

Você não precisa comprar nada. Um PST do Outlook vira um arquivo MBOX padrão com dois programas gratuitos — o Mozilla Thunderbird e a extensão ImportExportTools NG — em quatro passos. Os conversores pagos que lotam os resultados de busca vendem conveniência, principalmente a de resolver cinquenta pastas em um clique. Se você tem meia dúzia de pastas, ou uma tarde livre, não precisa deles.

Este é o caminho gratuito, com as partes chatas incluídas, e o que fazer quando ele não serve.

Por que não dá para simplesmente renomear o .pst para .mbox

Um PST é um banco de dados: uma árvore B de nós e blocos que guarda o corpo das mensagens, os anexos e a estrutura de pastas como registros, com os bytes embaralhados por uma camada de ofuscação que o Outlook aplica por padrão. Um arquivo MBOX é o oposto: texto puro, mensagens uma atrás da outra, cada uma começando por uma linha que abre com From .

Renomear um PST deixa você com um arquivo binário de extensão mentirosa, e nada mais. Converter significa percorrer essa árvore, tirar cada mensagem e reescrevê-la como texto RFC 5322 comum. A Microsoft publicou a especificação do formato PST em 2010, e é só por isso que ferramentas livres conseguem fazer isso — mas é trabalho de verdade, não uma troca de nome.

Um detalhe que vale saber antes de começar: o formato ANSI antigo, do Outlook 97-2002, para de funcionar por volta de 2 GB, e justamente os arquivos que bateram nesse teto são os que alguém tenta resgatar depois. O formato Unicode que chegou com o Outlook 2003 não tem esse problema.

O caminho gratuito: do Outlook para o Thunderbird e daí para o .mbox

Funciona no Windows, com o Outlook clássico instalado e o PST aberto nele.

  1. No Outlook, confirme que o e-mail está em um PST. Se ainda estiver dentro de uma conta, use Arquivo → Abrir e Exportar → Importar/Exportar → Exportar para um arquivo → Arquivo de Dados do Outlook (.pst). Se você já tem o arquivo, abra-o em Arquivo → Abrir e Exportar → Abrir Arquivo de Dados do Outlook para que o Outlook o enxergue.
  2. Instale o Thunderbird. É gratuito e você nunca precisa configurar uma conta de e-mail nele.
  3. No Thunderbird, vá em Ferramentas → Importar, escolha importar de outro programa e selecione o Outlook. O assistente copia o e-mail para as pastas locais. Esse passo lê o perfil ativo do Outlook pelo Windows, não o arquivo solto no disco — é exatamente por isso que o PST precisa estar aberto no Outlook, na mesma máquina. Se o Outlook nem aparecer entre as opções, o motivo costuma ser um Thunderbird de 64 bits diante de um Outlook de 32.
  4. Instale a extensão gratuita ImportExportTools NG. Clique com o botão direito em qualquer pasta do Thunderbird, abra o submenu do ImportExportTools NG e escolha a opção que exporta a pasta inteira (“Export folder”). Você indica o destino e recebe um .mbox padrão.

É esse o procedimento inteiro. Nada nele custa dinheiro.

A parte tediosa: é uma pasta de cada vez

A exportação faz exatamente o que promete: uma pasta, um arquivo. Subpastas são exportações separadas. Com seis pastas são dois minutos; com um arquivo corporativo de sessenta pastas aninhadas o tédio é real — e esse tédio é o produto que os conversores pagos de fato vendem.

Depois da importação existe um atalho. O Thunderbird já guarda cada pasta como um arquivo MBOX dentro do perfil: arquivos sem extensão com o nome da pasta, no diretório Mail/Local Folders, cada um com um .msf ao lado que é só um índice e pode ser ignorado. Dá para copiar esses arquivos para fora e acrescentar o .mbox no nome você mesmo — são os mesmos descritos no guia de como abrir caixas do Thunderbird no Windows.

Se o PST veio de um backup e não há Outlook

O caminho do Thunderbird precisa do Outlook. Quando o PST está órfão — tirado de um disco velho, entregue pelo TI, herdado junto com um notebook — sobram duas opções que continuam sem custar nada.

A direta é o readpst, do projeto livre libpst: brew install libpst no Mac, apt install pst-utils no Debian ou Ubuntu. Depois:

readpst -r -o ~/mail-out archive.pst

Isso escreve um arquivo MBOX por pasta do Outlook dentro de ~/mail-out, preservando a árvore de pastas. Com e-mail comum ele se sai bem. Arquivos muito antigos, com mensagens que o Outlook guardou no formato de texto enriquecido dele, podem sair com anexos estranhos: confira alguns antes de jogar qualquer coisa fora.

A opção lenta não pede software nenhum: ligue o PST a uma conta IMAP pelo Outlook, arraste as pastas para dentro, conecte o Thunderbird à mesma conta e exporte de lá. Seu e-mail passa por um servidor, então combina mal com qualquer coisa confidencial.

Se o que você tem é um OLM e não um PST — o formato de exportação do Outlook para Mac — trata-se de outro arquivo, e o guia passo a passo dos dois formatos cobre o caso.

Por que um conversor online é má ideia com uma caixa real

Subir um PST é entregar cada mensagem, cada anexo e cada endereço que há dentro dele a uma empresa sobre a qual você não sabe nada, e depois acreditar na palavra dela sobre a exclusão. As versões gratuitas ainda costumam limitar o envio a algumas centenas de megabytes, enquanto PSTs de verdade têm vários gigabytes: o arquivo que você mais quer converter é justamente o que não cabe.

Para um arquivo de teste, tudo bem. Para dez anos de correspondência, ou para qualquer coisa sob dever de sigilo, a troca não compensa quando existe um caminho local e gratuito.

Com o MBOX na mão, pare de converter

Se o objetivo era ler o e-mail, acabou. MBOX é o estado final legível, não um degrau para outro formato, e importá-lo em um segundo cliente de e-mail só cria mais uma cópia que vive dentro daquele cliente.

Abra o arquivo com um leitor — é para isso que existe o Mbox Viewer, no Windows e no Mac. Ele abre o arquivo onde ele está, nunca escreve nele, e caixas de até 1 GB também abrem sem pagar nada.

Abra seu arquivo com o Mbox Viewer

App nativo para Mac e Windows. Processa arquivos MBOX e EML de qualquer tamanho, totalmente offline.