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O .mbox do Apple Mail é uma pasta, não um arquivo

Exporte uma caixa de correio do Apple Mail e você recebe uma pasta chamada Inbox.mbox com um arquivo chamado mbox dentro dela. Esse arquivo é o MBOX padrão; a pasta é embalagem da Apple. Veja como abrir cada um dos dois.

David Carrero ·

Quando o Apple Mail exporta uma caixa de correio, ele grava uma pasta chamada Inbox.mbox e, dentro dela, um arquivo chamado literalmente mbox, sem extensão nenhuma. Esse arquivo é MBOX padrão — a pasta em volta é embalagem da Apple, não faz parte do formato.

Muita gente tropeça nisso, e sempre do mesmo jeito: a exportação parece ter dado certo, o leitor recusa o arquivo, e você conclui que ele veio danificado. Não veio.

O que existe de fato dentro do pacote

Clique com o botão direito no .mbox no Finder e escolha Mostrar conteúdo do pacote, ou abra-o no Terminal, e você vê algo assim:

Inbox.mbox/
  mbox              ← o seu e-mail, em MBOX padrão
  Info.plist        ← metadados da Apple
  table_of_contents ← índice, só em versões antigas

Só o primeiro importa. O Info.plist são umas poucas linhas que a Apple usa para nomear e identificar a caixa; o índice é algo que algumas versões escrevem e nenhuma delas precisa reler.

Se a sua exportação tem subpastas, cada uma é um pacote .mbox próprio aninhado ali dentro, e cada uma tem o seu próprio arquivo mbox. Uma caixa com dez subpastas são dez pacotes, e não um arquivo grande.

Por que a Apple fez assim

Porque o Apple Mail não guarda o seu e-mail em MBOX. Internamente ele usa EMLX — um arquivo por mensagem, em ~/Library/Mail/, com a mensagem e um pouco de metadado da Apple em cada um.

O MBOX só aparece na porta de saída, porque é o formato que todo o resto sabe ler. E, em vez de soltar um arquivo cru, a Apple o embrulhou na convenção de pasta-pacote que usa em todo canto no macOS, onde aquilo que parece um documento é um diretório por baixo. Coerente com o resto do sistema; confuso no instante em que o arquivo sai dele.

Como abrir

Aponte o Mbox Viewer para o pacote .mbox e ele resolve tudo sozinho: encontra o arquivo mbox lá dentro, abre esse arquivo e dá à caixa de correio o nome da pasta, então você vê Inbox.mbox na barra lateral em vez de um mbox sem nome. Arraste a pasta para a janela, ou use Abrir. Há um guia completo se você quiser os passos.

Se alguma ferramenta que você usa insistir em receber um arquivo, entre no pacote e entregue a ela o arquivo mbox diretamente. Copie-o para fora antes e dê à cópia um nome de verdade — entrada-2019.mbox —, porque uma pasta cheia de arquivos todos chamados mbox é uma bagunça de arquivamento com data marcada para daqui a seis meses.

No Windows é pior, e mais simples

Copie uma exportação do Apple Mail para um PC e o Windows mostra uma pasta comum chamada Inbox.mbox, porque a convenção de pacote não significa nada por lá. O que na prática ajuda: você vê o arquivo mbox na hora e o abre, sem passo nenhum de Mostrar conteúdo do pacote. O guia do Windows cobre isso.

Uma coisa para vigiar ao copiar: leve a pasta inteira, não só o arquivo que você está vendo. Se a exportação tem caixas aninhadas, as que ficarem para trás não existem na cópia.

Como exportar, para começo de conversa

No Mail, selecione a caixa e escolha Caixa de Correio → Exportar Caixa de Correio…, e depois indique uma pasta de destino. Sai um pacote .mbox por caixa selecionada.

Vale fazer antes de precisar. Uma exportação do Apple Mail é um dos poucos backups que ainda vão abrir daqui a quinze anos sem participação da Apple, e leva um minuto. Ela continua funcionando depois que a conta de onde veio for encerrada, que é justamente o objetivo.


Relacionado: EMLX no glossário e o que fazer quando o duplo clique não faz nada.

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